Enquanto no Brasil as discussões sobre educação giram em torno da alfabetização de todos, da democratização do acesso às instituições de ensino, do aperfeiçoamento  dos mecanismos que garantem vagas nas universidades, da melhoria da infraestrutura e da qualidade do ensino nas escolas públicas, a universalização da educação torna-se um sonho cada vez mais distante, uma vez que em diversos países crianças e adolescentes estão longe do sonho de estudar, mesmo que futuramente.
Um estudo publicado no início de julho revela que 24 milhões de crianças no mundo jamais entrarão na escola. As meninas são as mais afetadas.  A situação é pior na África e Ásia.
O estudo realizado pelo Instituto de Estatística da UNESCO mostra ainda queda no número de crianças e adolescentes nas escolas, entre 2011 e 2013. Em 2013, 124 milhões de crianças e adolescentes entre 6 e 15 anos não estavam estudando, sendo dois milhões a mais que em 2011.
Os continentes que mais sofrem com a falta de perspectiva são a África Subsaariana, que em 2013 tinha 30 milhões de crianças entre 6 e 11 anos fora das salas de aula, e Sul e Sudeste da Ásia, que no mesmo ano tinha 10 milhões de crianças sem cursar o ensino fundamental.
Além disso, o relatório mostra que 65 milhões de adolescentes estão fora da escola, o que significa um a cada seis. E o pior de tudo é que a probabilidade de um adolescente entre 12 e 15 anos não estudar é duas vezes maior que a de uma criança entre seis e 11 anos.
O estudo mostrou também que as meninas são as mais prejudicadas. Por exemplo, no Sul e no Sudeste Asiático, 80% delas que não estudam têm poucas possibilidades de começar a frequentar uma escola. Já no caso dos meninos na mesma situação, os riscos caem para 16%.
Existem recursos internacionais que ajudam a financiar a educação, principalmente nos países mais necessitados, mas as verbas são insuficientes. Infelizmente, a ajuda internacional não tem sido suficiente para a universalização do ensino, pois os recursos doados em 2013 eram menores que os de 2010.
De acordo com a ONU, um ensino médio de qualidade até 2030, uma das metas estipuladas no Fórum Mundial de Educação, na Coréia do Sul, só será atingido se as doações de recursos aumentarem em 500%.
Um exemplo claro disso, é que, de acordo com a UNESCO, para universalizar as matrículas escolares somente de pré- adolescentes com 12 anos seriam necessários US$ 39 bilhões.
Mas além da ajuda internacional que não tem sido suficiente para universalizar a educação, um  outro fator distancia ainda mais crianças e adolescentes das salas de aula: são os conflitos regionais, como por exemplo, na Síria. Lá, em 2012 eram 300 mil fora da escola. Esse número subiu para 1,8 milhões em 2013. Já em setembro do ano passado, o número de crianças fora das salas de aula era de 2,8 milhões.
Devo lembrar que a Declaração Universal dos Direitos Humanos deixa expresso que toda a pessoa tem direito à educação. Por outro lado, mesmo com todos os esforços de países do mundo inteiro, para universalizar a educação, milhões de crianças não têm nem mesmo acesso ao ensino fundamental. Então, será que diante de tal situação podemos esperar um mundo melhor para nossos filhos e netos?

Lázaro Pontes, advogado, empresário e mestre em Direito Empresarial e Educacional.     lazaropontes@lazaropontes.com.br