Educação de qualidade: um desafio para todos

 

O Brasil é um dos países que mais investem verbas públicas em educação no mundo, tendo melhorado a qualidade dos ensinos fundamental e médio. Os dados são da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com base em estudo realizado em 29 países. Mesmo assim, a qualidade do ensino ainda está longe do ideal.

 

Não raras são as notícias sobre o descaso com a educação: desvio de merenda, falta de infraestrutura e segurança nas escolas, e por aí vai. O país envelhece, tornando-se cada vez mais dependente da força jovem, mas, por ironia do destino, ainda se investe mais em prisões que na educação dos cidadãos do futuro.

 

Segundo o economista Gustavo Loschpe, os melhores sistemas educacionais no mundo gastam o mesmo valor que os brasileiros, sendo que os alunos também estão matriculados, em sua maioria, em escolas públicas. Ele aponta uma solução para o problema: aumentar a demanda por uma educação de qualidade.

 

Para isso seria necessário que professores trabalhassem mais; que  universidades tivessem maior rigor com estudantes na área de Educação; que   secretarias de educação cobrassem mais de sua rede de escolas; que diretores cobrassem mais de professores; que professores exigissem mais dos alunos; que os pais priorizassem a educação e cobrassem mais dos seus filhos e das escolas de seus filhos…

 

Uma grande lacuna impede que os brasileiros ocupem os cargos oferecidos com o aquecimento da economia: a falta de qualificação. Diante desse fato, é crescente o número de estrangeiros que concorrem aos melhores cargos oferecidos no Brasil.

 

O advento da Copa do Mundo 2014 trouxe um novo paradigma e agora as olimpíadas, uma vez que o país investe em infraestrutura para atender à demanda destes eventos e com a crise econômica que atravessamos aliado a falta de qualificação da mão de obra, o poder publico,  resolve apenas com paliativos, oferecendo cursos técnicos.

 

Em relação ao ensino superior, a situação é caótica: professores deparam-se com alunos que vêm do ensino médio cada vez menos preparados. Aliás, parte da população, mesmo ocupando cadeiras em universidades, é  formada por analfabetos funcionais,  pessoas incapazes de interpretar textos ou usar a leitura e a escrita em atividades cotidianas.

 

Para piorar ainda mais a situação, as universidades nem sempre possuem infraestrutura adequada para atender os estudantes em suas diferentes necessidades, o que compromete de maneira assustadora a qualidade do ensino (em se tratando de universidades públicas, muitas estão com estrutura administrativa inchada e instalações precárias, degradadas pelo tempo e pelo descaso); e as bolsas de ensino custeadas por empresas a seus funcionários, antes isentas de impostos, passaram a ser taxadas pelo Governo.

 

Outro fator alarmante é que milhares de estudantes investem tempo e dinheiro em universidades mal avaliadas pelo Ministério da Educação (MEC). Como se não bastasse, outros milhares tornam-se bacharéis em áreas já saturadas, que não atendem à demanda de mercado.

 

Priorizar a qualidade do ensino é transmitir civilidade, atributo raramente encontrado em milhares de  jovens, que se  encontram perdidos no mundo das drogas, da ociosidade e do crime, vítimas dos valores arraigados da cultura de massa, do descaso, da educação falha que incentiva o “ter” e não o “ser”. Priorizar a qualidade é ir além da Escola Plural, ProUni, FIES e outras ações afirmativas; é exigir mais do sistema educacional como um todo, e dos estudantes também; é criar oportunidades reais na formação dos jovens; é estabelecer parcerias concretas entre instituições de ensino e setor produtivo.

 

Será difícil enxergar que enquanto o país não focar na formação dos cidadãos, não será capaz de estancar a exclusão social, a concorrência desigual (inclusive com estrangeiros), a falta de oportunidades e, consequentemente, a violência social? Quem educa mais, pune menos.

 

Lázaro Pontes, advogado e empresário. Mestre em Direito Educacional e Empresarial.