Educação e o legado do bônus demográfico

 

O Brasil deixou, há muito tempo, de ser um país cuja população é predominantemente jovem, para se tornar um lugar onde a quantidade de adultos e idosos cresce. Atualmente, a quantidade de mão de obra ativa supera o número de dependentes. Mas será que o país está preparado para envelhecer? Essa questão vem sempre sendo abordada nos maiores jornais de circulação do País. Vale à pena uma breve reflexão sobre o assunto.

 

A matéria denominada “O legado do bônus demográfico” revela que a proporção de crianças diminui desde a década de 1950. Outro fator que não pode passar despercebido é que com a melhoria da qualidade de vida da população brasileira (devido às inúmeras campanhas de saúde e investimentos na área social, que se estendem ao longo dos anos, e também à conquista de melhores condições de trabalho), o número de pessoas com 60 anos ou mais aumentou consideravelmente.

 

Por enquanto, o volume de mão de obra que impulsiona a economia brasileira é bem superior ao número de dependentes, ou seja, de crianças, adolescentes e idosos.  Por outro lado, de acordo com especialistas (conforme citado na matéria), o Brasil terá no máximo 15 anos para acelerar o processo de escolarização e qualificação de jovens e crianças, melhorar a qualidade das habitações, investir  em infraestrutura, saúde e previdência, se quiser estar preparado para o envelhecimento populacional.

 

As crianças e jovens de hoje é que sustentarão o país que em 2050, segundo estudos, terá uma população formada por pessoas mais velhas (cerca de 30%),   com expectativa de 80 anos de vida. Daí a necessidade de se investir mais em qualidade de educação, pois a tendência é que mais pessoas dependam dos governos federal, estaduais e municipais, ao passo que menos contribuam com eles (podemos citar exemplos como a Previdência Social, os sistemas de Transporte e Saúde e por aí vai). Então, a grande saída para o desafio do futuro, é a educação, base para o progresso.

 

Apesar de o Brasil ser um dos países que mais investem verbas públicas em educação no mundo, ainda está longe do ideal. Serão necessárias políticas direcionadas para acelerar drasticamente o processo de escolarização, gerar empregos de qualidade e melhorar o ensino, para que os adultos do amanhã possam segurar as rédeas de um país demograficamente “mais velho”.

 

Infelizmente, como atesta a matéria  de Ana D’Angelo e Paula Takahashi, isso não foi o que aconteceu até hoje. O que se vê é o crescimento da demanda de mão de obra acompanhado do despreparo de trabalhadores, o que força os empresários da indústria, comércio e setor de serviços a contratar mão de obra sem qualificação. “E os salários ó…”, pequenos como sempre.

 

 

*Lázaro Pontes, advogado e empresário, mestre em Direito Educacional e Empresarial